28 abril, 2009

...ponte em Des/construção

Construindo em um tom destemido
Desconstruindo o lado ínvio
Refazendo cada átomo
Pela causa multidirecional.
Uma arma nada válida
Para uma epopéia.
Pois ao passo da divisão dos segundos
Ao desflorar os milhares de anos
A contradição se faz incessante
Duradoura e ao mesmo tempo
A chave para
Conhecer.

Por Bibi Serafim

17 abril, 2009

panela

Ouça o segredo
Panela.
Pronto, sente-se, organize o olhar.

Quero me explodir
Sentir raiva.
Podemos?
Pronto, sinta-se, organize o olhar.

E ter,
Sempre mais de um.
Sim, cinto, calça, caneta, cabelo, copo, corpo
Coisas assim
Como, Panela.

Por Bibi Serafim

14 abril, 2009

Martírio da Flor

Entre esquinas
Por becos obscuros
Vende-se o íntimo em troca de um dólar usado
Faces de uma boate vivida,
Agredida.
Praticada por quem trajou a maioridade
Em um mero corpo de criança.

A doçura da pura flor fora aprisionada e martirizada
Por um crime que não cometera.
Na garganta um gozo amargo
Olhos vêem e corações não sentem
Sentem.


OBS: essa poesia vai estar na 11ª faixa do CD "À DERIVA" da banda Dissidente. O lançamento está previsto para junho/2009
Por Bibi Serafim / Diano Ilha

12 abril, 2009

Ao momento e por ela

Sinto-me bem
Olhando o balé dos vendedores
Com olhares segundos, em segundos
Secos baldes de flores se tropeçam
Como o cão que atrasa o gato
Em confiança discreta,
Secreta.
Se muito late, o baile se coloca em disputa
Trazendo em meu si, o chamado de encantaria.

Oh! Mulher maestria, meu cristal lhe vê colorido
Arrematado na minha, dolorido
Querida!
O mar esteve falando alto
Entristeceu-se em pleno show do fogo encantado
Ali se embrenhou aos prantos, logo em sua companhia.

Ao lado da missa embriagada
A pele rastafári se encontrava em repassado transe
Zunindo o atabaque de sotaque vermelho
Cheirando tato, troco e libido.
Pois, tamanha intensidade da lua
A vida ainda nos convidava para o rock
Na sagrada ilha.

Lágrimas aparentes se fizeram verdadeiras
Na Bahia, o corpo era mais que um corpo.
O enterro da ponta nos cantava por dentro
O duelo era insuportável, saudável, doído e inexistente.

Por desfeita me fiz em ódio e alegoria
No maldito sentimento do olhar
Que engasgado se expressava por dentro
Por fora, ainda era a mesma covardia.
O tartaruga marinho novamente chegou atrasado
Espancado a longas duras e ainda que dure
Me perco na sua, maldita!

Por Bibi Serafim

11 abril, 2009

trombadas, estilhas e liberdade


Morrer
Livre?
Talvez

 Ser babilônico ou ser castrado.
Para isso
Ser
Sem
Ter
Não é...
Há pedaços, comprimidos.


Por Bibi Serafim / Diano Ilha

09 abril, 2009

Fim da Roda (Samba e Prosa)

Samba aqui agora
Que o fim já vem
Samba não demora
Vem aqui meu bem
Por que não mais
Vou passar por aqui

Chama que devora
Que sentido tem
Se arruma vamo embora
Que a alegria vem
E se não chegar
A gente faz por aqui

O meu jeito de ser
Esperar pra que?
Deixa a brisa do mar bater
Deixar o sonho de lá
Pra que?

Entardeceu numa roda de alegria
Canta a mulata, pandeiro e folia
Pra ver.
O sol de manha te fazer esquecer do passado ruim.

Entardeceu numa roda de alegria
Canta mulata amanha é outro dia
Vai ver.
Se isso é bom ou ruim, a canção é assim.

Banda: "Dom Capaz"
Composição: Lucas Paiva/Bibi Serafim

08 abril, 2009

Dias Carnavalescos

A bela não amada
Embriagou-se de vaidade
Por vontade, cheirava carnaval.
Em dias que adia a rotina alheia
Permanecendo o rouco grito que pulava na avenida

Em palavras não ditas
A ressaca rebateu-se por música.
Aglomeraram nas ruas paralelas
Uma montante estande, de cabeças molhadas
Tantas e quase nada.
O próspero futuro mórbido com dias iguais
Fazia daquele instante o retrato único
Rápido, remanescente e reluzente.

Entre flores, dondocas e meretrizes
Os cabelos suados, soados pelos garanhões
Cheiravam azaléia.
Cheiradas e fumados, dançavam bem
Felizes, bêbadas, lúcidos e desvairados
Sentiam as hipocondríacas donzelas e os ríspidos meninos homens
Estremecerem as juntas articuladas.

A estética fora decorada pela beleza não profunda
Após minutos, tudo se sujou dos pés a cabeça
Fingido de bêbado coloquei o boné,
Fechei os olhos
Retraí a guarda
E por fim, eram meus.
Os gritos mudos.

Por Bibi Serafim

05 abril, 2009

outro mundo

Gritaram na floresta
Suave e exótico assim me pareciam
Faces e fases passageiras
Logo acima do freio de realidade
Entre eles e a euforia, era flor e sol
Som de chuva e relva peçonhenta.

O fato assolador esmagaria o filho reacionário
O boi bruto borbulhava em faixas dissonantes
A semente de jambu ao parar de me fazer babar
Tragou a mais, e quis se deitar.

Agora ora, estive em tarde bacana
Entendendo sobre choque, hipocrisia e permacultura.
À volta do todo sobre o “nada”
Com tudo
O fato se inscreve pelo começo
Escrito por uma estrada sem fim
Instaurado ali
Aqui
A crise.

Por Bibi Serafim

04 abril, 2009

Domingo pé de cachaça

Mimo e pasto
Mesa ao ladinho do sol
Cantando em coro o preâmbulo do desejo
Pois hoje, quem flor flutuar em nós
Aprenda a esquecer se é, pois, já foi.
Rebolei sobre a lua, ontem.
Agora, a caneta está em soneto necessário
Mas soneto ainda não é sinônimo de poesia
Essa porra deve conter quatorze versos
Então passa, sendo apenas composição livre.

Alias
Vou terminar isso num bar
Centro do acaso
Achado de malandragem
Ou no meu caso, dormindo.

Hey bill
Estava esquecendo sobre um importante recado
Tanto que minha agenda ainda fez questão de marcar no dia certo.
É que nessa rodada eu não pago a conta.
Sacaninha eu?
Perguntem ao garçom o quanto fui disciplinado neste mês
Aprendi com Sócrates que a virtude se adquire na prática
Por isso vou fazer mais um dia de treino pesado com a boemia

E por fim, bem no fim
Quando os brindes embriagados estiverem fofocando sobre tesão, amor e traição
Chamem o jimmy cliff para bailar, dê uma piscadela na orgia
Coloque o tempo na sarjeta e não se esqueçam
Cantem os parabéns, pois, quem sabe
ganharemos mais uma de brinde.

OBS: 22/03/2009( fiz no meu aniversário )

Por Bibi Serafim

02 abril, 2009

brazil

procurando nos morros desta estranha terra tropical
procurando nas matas deste cheiroso perfume litoral
avistando de longe secas paisagens nordestinas
esperando ver o Amazonas na mão da pátria serpentina

gelada política no Sul, como se fosse outro país
Minas Gerais, terra pelega da união
quantas vezes roubada, normal, na colônia carnaval

São Paulo e Rio fazem a caricatura do sistema
aborda em menos de metros o rico, o médio e o problema.
o problema da globalização, gerando o miserável filho da pátria
filho da tática como diria grande Tom Zé

tom este que infelizmente não alcançamos neste complexo acorde
chamado Brazil.

Por Bibi Serafim