28 dezembro, 2009

A jibóia aqui é de responsa (chega mais perto comédia)

Alô Mexerico
Tu sabes
Desconfias do meu veneno
E paga até chupetão pra saber se cafungo ou fumo o bagulho

Afinal,
Reduto de malandragem não da bandeira
Aqui é “Rife” safado,
Falo de cadeira
Coruja no meu terreiro morre injuriado
E quem cagueta e não banca o processo
Tem que ter costa quente pra não pagar prenda

Eu dou "sapeca aia aia" em paletó de dedo duro
Endireito pista em conversa torta de pilantra
Evito onda errada pra isca de flagrante
E deixo defunto miando de antena ligada

“Quem pergunta quer sempre a resposta
E quem tem boca responde o que quer”

Se não tiver disposição,
Boca calada aqui é o pensamento certo.

Vejo que te dou nó na garganta
Quando me encara com pinta de doutor
Fecho tua retaguarda capenga e ainda fico numa boa

Mas vou cantar a letra
Se voltar a entrar no time da “entregação”
Pego o lápis, o guardanapo e interrogo-te
Dou um baita dum sacode
Esculacho com teu pedágio
E faço tu virar cadeado


Afinal,
Vento que balança roseira alerta movimento de coruja?
Se liga vacilão, sem jurisdição pro meu lado

“Malandro é malandro mesmo
E o otário, ele é otário mesmo”


Um lembrete,
Em minha maloca a lei da vigília são os dentes, a malandragem, o violão, a boemia e a poesia.


Por Bibi Serafim

25 dezembro, 2009

Peito Vazio


Meu olhador
Ficou umedecido
Socaram-no em punhais
Furou.

Sufoquei minhas três cabeças
Até que elas discutiram entre si
E por ora, terei que pensar com aquela que mora junto aos olhos e ouvidos
A menos sentimental.

Combinado?
Estamos Ok.

Às vezes sou brisa
Ao acaso saio flutuante
Que nem plumas quando bailam sem destino

Às vezes me faltam pedras
Quando mais preciso

Suspense o desejo
Sou tudo menos
Gatilho.

Eu faria
Eu floria
Reforma

Com a cabeça cheia
Molhada
Travesseiro duro, corpo parecido
Suado
A garganta ainda confusa sobre ficar entre a sede ou a ressaca

Mas ainda faltam pedras
Em minhas mãos
Me encontro com palavras e despedidas.


Por Bibi Serafim

07 dezembro, 2009

Diamante, meu.

Fada
Acredite em mim
Palavras são como as águas
Até podem ser puras
Mas se valem primeiro da grandeza de alterar estados
No caso,
O meu.

Sua queda
Meu fado, seu carinho
Minha composição, nosso zelo.

Filha da árvore mais santa, mãe da carne mais viva
O pito brasa acesso queimando o aliviado relógio cotidiano
Sendo a mulher da cantina que traga banquete e suspira meiguice
Exalando colo ao trato do patrão e o patrãozinho

A tia decorada pelo recinto arrumado
A casa bege
Arquiteta de construções simples
Em suas pilastras
Vivo
Ardendo de afago

Aperto-te com o abraço mais casado
Mesmo esquecendo mais uma noite
Em traduzir palavras para todo esse apego

Sua decoração rústica e sincera
Deixa naquela sombra do pé
Frutos de nossa prosa
Um sentimento certo
Como um solfejo afinado
Em ritmos mais que treinados

Seus sonhos querida
De viver como o imaginado ato de nadar
Sutil em coerentes princípios cristãos
Agita meu corpo de ternura
Honrando seu papel até uma última tinta da caneta
Fazendo valer o meu encanto
Por sua alma



Outra vez,
Sinto-me o filho da santa
Um fogo cego
Um bicho sem pendor
Um cultivador ao não sagrado
Mas quando sua angústia me avassala
Torno-me vergonhoso
O bobalhão com discurso afinado
O fidalgo revolucionário de papel
Um puto de consolo literário

A mulher do cervejeiro,
Aceitara a condição de fulgor
Carregando o fado doméstico para sempre
Mesmo sabendo que existe uma rua mais iluminada
Serve vida como prato de luxo
Até o dia que sensatez desta beleza se entediar de tanta eternidade

Por sinceridade
Desculpe se meu abuso lhe causa cansaço
Sou malandro, nunca um pilantra
Havia utilizado um salto quinze
E fiquei feliz por não alcançá-la
Nem sempre se consegue inventar virtudes

Ainda em construção,
Meus olhos cumprimentaram a humildade
O balão se encheu de caprichos em sua presença
Desci daquele tamanco enorme
Ô ego.

Mesmo assim,
Ainda sei que posso lhe dar orgulho num palco
Seus olhos ainda acreditando em mim
Como se eu fosse o herói da Timbiras
O cavalinho premiado da loteria
Perfeito,
Às vezes isso me emudece e incomoda

Pois,
Queria você, ter um filho de deus
Prefiro ser apenas seu
Aclamando anonimato, a casinha lotada e a mercearia fechada
Tendo em minhas lembranças
A mais valiosa arte, não pela carne, mas por paixão
Meu sagrado diamante.

Por Bibi Serafim