24 junho, 2009

Amor Livre

Dialogar sobre meu desejo
É quase um monólogo
Soa como uma nota sem ritmo ou melodia
É como discutir o sexo dos anjos
Tão esdrúxulo quanto o elusivo amor eterno
Parece ser o punho que se bate num concreto sem saída
A oferta de um texto sem contexto
Rir do dia que adia o dia-a-dia feliz.

Por Bibi Serafim

18 junho, 2009

Ouça o segredo: silêncio

Como a dedicatória que pesa todo o peso dos ventos leves e perfumados de outono.
A ele como quem se faz herói pelo segundo inteiro em que os escudos estão no chão e a sinceridade agarrada à mão.
A ele pela coragem absoluta de revelar o segredo preso fielmente ao medo.
A ele pela desordem vivida e doída abafada no escuro do tormento em silêncio.
A ele principalmente pelo sentimento existente na conquista desse breve entendimento meu.
Entre as infindáveis dúvidas há a partilha de toda a pureza dessa verdade fingida.
Entre a confissão toda essa confusão com fusão de turbulências engasgadas.
Entre eu e ele esse registro eterno e externo de tão interno.
Entre ele e ela a dor engolida na angústia da duvida que bagunça o instante todo da paz desse abraço.
Entre o amor e a amizade um limite invisível e inexistente que faz dessas palavras jogadas uma mistura vaga.
Entre o dia e a noite os gritantes pensamentos mudos de delicadeza e desejo no ensejo do enleio.
Só e somente a ele...
Como quem merece como ninguém o tempo do desabado eternizado só para si.
Os ombros leves e a cabeça cheia como aquele que nasceu já dentro de si enroscado na razão que não descansa nem no momento do grito.
Grito calado que nunca não houve.
Ouça o segredo nesse silêncio.
Ouça o silencio desse segredo.

Por Fernanda Tavares

16 junho, 2009

Hermético salto da mariposa

Meu lado exógeno do sistemático órgão cardiovascular
Recebera durante cinqüenta e seis meses de sua incrédula inexistência
Uma boa bela bossa dosagem de experiências meadas em clima de transmitância.
Foram estes anos datados ao coma induzido
Em pleno internato do claustrômano
Com exclusivo atendimento cristão que apalpava seu cliente pacato
Batendo nele aos chicotes, em maus tratos e acalantos do pulsante princípio de realidade.

Ao reativar meu aparelho espectrométrico
A senhorita C. ficou pasma e logo entrou na cabeça do analista psicodinâmico
E com ele fora feita a desfeita de meses em análise para bancar o aluguel de sua conduta
Perdendo assim, dias na estória dos complexos bichos da organização revoluciúncula.
Propondo à retina uma aderência forçada à ciência patognomônica
Havendo é claro, o convite para a normalização.

De fato, tive que entrar em meditação
O respaldo veio pensar junto ao desejo
Desgastando os argumentos do roteiro démodé
Bem lá pelos corredores do impulso.

Controlado delicadamente em verdadeiro caos interior
O velho romântico espatifou-se em vertentes vertiginosas
Encarando a fossa como possibilidade de princípio Erótico
Derramando leite em meio aos convidados do jantar luxuoso
Ignorou a sentença de casamento
Cancelou os aplausos familiares
E acabei sobrando
Apenas nos cochichos do manicômio.

Por Bibi Serafim

14 junho, 2009

Irmãos

Somos a contradição de nós mesmos.
Nascemos de um mesmo ventre,
mas não é isso que nos une.

Estivemos mais próximos um dia.
Estivemos mais longe no outro.
Hoje estamos onde devemos estar.

Amo-te não por sermos irmãos.
Amo-te não por termos os mesmo pais.
Amo-te não por parecermos iguais,
mas pelo simples fato de sermos alguém.

Quando não tivermos mais nossos pais
nesse mundo que chamamos de vida,
será no seu ombro que vou chorar.
A verdade é que os irmãos são os únicos amigos que nunca vão.

Por Rene Serafim (Seu irmão)

09 junho, 2009

clarão

O verde foi de longe ver
O amarelo de perto se amadurecendo
O vermelho ao lado me queimando
O laranja de frente ao ofuscar
O azul por cima espairecendo
O marrom em barro me sujando
O cinza velado em choro calado
O lilás alucinante dos faróis estatelados
O violeta rosa de sua delicadeza
O preto afã em seu terno intelectual
O catártico final clichê se juntando por todos
O branco.

Por Bibi Serafim

03 junho, 2009

Acontece


Ali onde a alvorada nasce mais gelada
Tem o consolo de seu corpo no cheiro eterno
E moram as imensas imagens da minha praça
Meu quintal.
Onde o afago da matina pensa sozinho
E as jabuticabas nunca mais te vêem
Onde sua sedução infiel
Junto às portas que ficaram abertas
Ainda a engasgar o quarto de cima
Deixando os hábitos se divertirem
Por anéis enferrujados
Com cartas infinitas
E retratos nostálgicos.

São as últimas poltronas que perderam o motivo da explicação
E foram as composições épicas que deixaram de fazer música
Nos domingos que ganharam o direito à solidão
De esquinas que raramente foram visitadas
Por sorvetes, clubes, famílias e igrejas.

Aliás,
Bem mais sutil que um contratempo
Sem tanta melancolia
Queria apenas não desaparecer
Já é tarde
Acontece.




Por Bibi Serafim

01 junho, 2009

Ponto final

A minha influência literária é pobre
A minha poesia é doente.
Ponto final.

Por Rene Serafim