10 fevereiro, 2011

Funeral de um poema

Ontem fui ao cemitério para ver desvivamento de gente
Vi o segredo se esfregando no sofrimento ao ar livre
Promiscuidade derramada nas lágrimas que entupiram a terra de silêncio

Dizem que sou adoentado por falar essas bobagens
Inclinação aguda pelas coisas banais
Passo o dia engordando acontecimentos
Arruinando os bons modos das palavras

Já as crianças até desarrumam os olhos quando bolo essas estórias
Os adultos espicham pra alcançar o percurso de minhas lonjuras
Mas entendem mesmo é de histórias

Os fatos em si não são saborosos
Imagine se te conto sobre o enterro da tia avó de um amigo,
Mataria a poesia.



 Por Bibi Serafim


Um comentário:

Diogo disse...

putz, que coisa hein?