28 março, 2011

Acalmo

        
          Se um dia a tristeza exaltar 
       La fora sempre vai ter um lugar 
      Pra colorir seu coração em enfeitar a solidão
      Que nessa hora precisou te abraçar


 Música  06/2010   Por  Lucas Paiva / Bibi Serafim


     

Ai se a boca falasse

           Tanta emoção eu criei
            Que eu não pude evitar
          Que esse meu coração
           Não pudesse aguentar
           Mais sofrer como eu
          E sem poder falar

         Ai se eu pudesse chorar
           Se eu tivesse a coragem
        De um lutador
        Pra poder esperar
         O rio em meus olhos 
        Um dia secar

         Ai se eu pudesse chorar.

        Essa vontade doída
         Que não quer passar
        De te ver por aí
        E querer-te tocar
         Mas não posso querer
        Eu só pude esperar

        A felicidade voltar.




Música  06/2010     Por Bibi Serafim / Lucas Paiva

27 março, 2011

Banana com mel

lambuzo-te para dentro
quão suave me adoça e alegremente fica
sua cor ouro melando meus lábios 
como quem me aperta e eu prontamente quisesse
ao bel-prazer devoro-te ainda na cesta onde entre outras tu moras
mas na boca é que se derrete e me ama e me vira
suspiro você, gozo-te e degusto minha doce fruta
mesmo que não seja mais que uma doce fruta 


Por Bibi Serafim

Insônia

afe vida gulosa
nem espera eu deitar
e me come toda noite
sem parar


Por Bibi  Serafim

16 março, 2011

tudo casa, fora dela


                                   



                                 D O N A       
                                
                                CA BE
                               SA BE
                            
                               TO CA             
                               SE DA           
           
                                AM OR
                               FA DO
                               VI  VO
                              FO  RA 
                              DE  LA
                        
                     
                            

Por Bibi Serafim

14 março, 2011

13 março, 2011

Tão esperada,

A boca da noite não usa dentadura
Rasga-te e engole feito cobra
Arranja e varre sonhos como furacão
Perdoa inimigos e devasta paixões
Deita serena nos ajustados
E queima como fogo nos boêmios
Nela mora os filhos do silêncio, embora seja a mãe da malandragem
Não há neste caminho só o brilho do luar, esconde belas confissões carnais
Se perde como folhas de outono na embriaguez dos corações avassalados
Tamanha aflição seja sua sinceridade, sua nudez profana escancarada e crua
Carregando em sua profundeza o sorriso dos abastados e os dissabores dos marginais
Encarna enfim seu delírio em cada ser que nela freqüenta e intensamente vive
Dona das estrelas dos estupros do prazer do amor da solidão e dos poetas
Não aqueles poetas dos poemas que se lascam na obsessão estética, mas fatalmente os que ardem pela vida e nela garimpa poesia
E choram feito crianças quando aqueles raios de ouro iluminam seus cascos
Traindo suas verdadeiras paixões ao chamado do relógio que toma seu posto outra vez

Nela caso e me redimo
Sou tua transa e teu filho, madrugada.

  
Por Bibi Serafim
  

05 março, 2011

Despoesia

Mora na indiferença nos ajustados nos pontos finais nas explicações pra tudo na educação de etiqueta na produção acadêmica na pontualidade na caretice na verdade na dignificação pelo trabalho nos ternos dos formandos nos casamentos quadrados nos cabelos penteados nos músculos anabolizados nos homens e mulheres moderados nas pessoas que só esperam nos caridosos nas pessoas excessivamente boas nos peitos siliconados nos pintos ideais no sexo convencional na possibilidade de escolher só uma coisa ou outra na viagem obsessivamente programada nos compromissos certos nessa vida moderna na calça jeans na necessidade de aprender inglês e depois francês no culto ao individualismo na comida enlatada nas declarações de amor por e-mail nas músicas da moda nos manequins de festas nas entrevistas de emprego nas avaliações escolares nas almas que debocham da juventude nos pais que não escutam suas crianças nas escolhas não autorais nas mulheres frígidas por opção na falta de amor... na falta de amor

                                            

“Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse”

                                                

                               Nisso tudo vive a despoesia.


Por Bibi Serafim