22 novembro, 2010

Extravasando



Escrevendo      
Excretando     
Escavando      
Esculpindo
Estourando
Estragando
Esquecendo
Esquivando
Escondendo 

Por Bibi Serafim

Fragrância

                      
Havia cheiro de cecê,
Aborrecido
Olhei para trás
E só tinha uma fechadura
Quando olho para frente
Noto um espelho
 Mal encarado.

                   
                                                                                   Por Bibi Serafim

21 novembro, 2010

No canto do olho ao lado da porta


 
Esfaquear os braços de quem lhe acaricia
É tão necessário quanto esmurrar a face do pilantra
Saber reconhecer a clausura no âmago de sua cozinha
É tão sábio quanto empreitar a tapas o rosto paterno
Diria os verdadeiros cowboys dos caça-níqueis nos prostíbulos mineiros
Que o esconderijo dos homens puros está fedendo dinheiro roubado nas madrugadas cansadas e laboriosas.

Vejo que existe um largo desfecho em seus olhares compridos
Ouço de longe aquele teu grito com cheiro de copulação
Ainda vivendo preso nas inconsciências ponderadas
A quinta grandeza ainda não pronunciada.

Passeando sóbrio nos surtos habituais de quem se perdeu
Em dias e noites recolhidas por paredes silenciosas e portões inseguros
Ficarei enforcando ideais despedaçados no inferno urbano da modernidade
Degustarei em cada sinapse um lado aprumado de sua cabeça
Onde encontraremos notas e notas sobre a existência de algo melhor.


                                                                          Por Bibi Serafim

19 novembro, 2010

WE ARE IN THE FUCKIN DESERT MAN

Cara, essa é a noite mais fria da minha vida
Não agüento isso
Até meus rins estão doendo
De tanto rir.

De sal a mares, cantamos por lagoas congeladas
Pegamos a estrada trancada por areias bailarinas
Atiramos flechas ascendentes em noites estacionadas pelo deserto
Beijamos pedras seduzidas por moinhos de ventos
Corpos se confundem enquanto trocamos olhares e palavras
Neste lugar onde narinas e pensamentos são enfeitiçados por areias e Marias.

“We are in the fuckin desert man”

Uma anfitriã esteve sorrindo e ofereceu mais um vinho
Naqueles olhos risonhos e avermelhados
Seus hóspedes a passeio dormiram em pecado
Morrendo de frio.




Por Bibi Serafim

17 novembro, 2010

09 novembro, 2010

Garoa da compaixão

De tanta lágrima
Meu choro ganhou a empatia das nuvens
Caiu diante dos meus olhos, uma formosa chuva de novembro.    

Por Bibi Serafim

A passeio

É que eu tô lá porque vou passear em um negócio
Que não é um barco, não é um navio, nem um bote
Não sei o que é
É uma coisa que não existe.

Dessa vez eu via a cor do vento
A imagem ajoelhada para o mar
Beijada pela singeleza das rochas adormecidas.

Afundava na areia como se eu tivesse seis ou sete anos
Deitava meu rosto como quem se encanta com o olho do sol
Imaginava o sonho sorrindo como se fosse uma coisa já acontecida.

Por Bibi Serafim