31 maio, 2010

Corra e olhe o céu

Alguns nascem para viajar em seus destinos inventados
A vida com seus modos estranhos de realizar as coisas
A razão sempre tão desencontrada em meu coração
Curva às cicatrizes do acaso.

"Livre, livre é quem não tem rumo."

Sereno e cortante como a sinceridade de uma criança
Entrego-me avesso aos receios
Corro descontente pela rotina
Além dos esconderijos da retina
Imagino outra estação.



Por Bibi Serafim

25 maio, 2010

Metamorfose marginal

Ao lado torcido da pista
Aos olhos não convencionais
Pelas partes de uma nova forma
Transformo-me num marginal
Mais um maldito bem-aventurado
Viajando preso aos navios de cristais
No entanto solto,
Posto que também sou chama.

Por Bibi Serafim

24 maio, 2010

1967

Aquele silêncio era ensurdecedor
Os segredos que insistiam a nos deixar inquietos
Eram intensas verdades narradas pelos boleros
Dos embriagados cabarés clandestinos.

A vastidão dos dias sóbrios
Das noites mais que pensantes
No ar ingênuo da aurora campesina
Iria perfurmar tardes cruéis nos quintais da mãe gentil.

Vestido de gente
Na terra onde as mãos ainda se encontram desatinadas
Corria eu gritante pelos jardins do fado tropical
Querendo posse da minha renascença
Denegrindo com palavras
O festejo da apatia,
A janta militar.

Falsear o discurso de quem estava a lhe despojar
Era mais que um arranjo,
Foi de fato um ato de liberdade
Mesmo que após o feito
Viria o desfeito de nossa morte.

Por Bibi Serafim