Nem tigresa nem mariposa
Seus pêlos negros não repousam mais os meus dias
Estou novo em bossa romântica
De outra.
Tanta verdade e voracidade que reconheço,
Nego teu sorriso como negaste meus olhares.
Exatamente como antes,
Bem antes de sua presença me provocar intensa falta
Consigo dormir esquecendo-te.
Desejo sentir sua pele corrosiva
Questionar-me aos prantos de quem
Somente consegue dar o valor quando
Estou entrelaçado a outras mãos
Outros lares.
Sinta,
Vou ser motivo para falta do teu sono
Ser aquele que arranca noites e noites
Seu fato eterno e intenso,
Sem minha companhia.
Quero,
Ser ausência em seu dia
E presença em suas lembranças
Vingar cada resto da sua desimportância
Comigo.
Por Bibi Serafim
12 abril, 2010
04 abril, 2010
Marruco do Santo
Após meses,
Lá em Itacarambi
Acontecia uma comemoração de rua
Era dia da folclórica “Folia de Santo Reis”.
Novamente, lá estava eu
Bêbado que nem uma cabaça.
Lá em Itacarambi
Acontecia uma comemoração de rua
Era dia da folclórica “Folia de Santo Reis”.
Novamente, lá estava eu
Bêbado que nem uma cabaça.
Em meio ao bloco dos foliões
Fizeram a oferenda do marruco ao santo,
E me deu uma crise de riso quando ouvi aquele coro em transe gritando:
− Marruco de Santo Reis... Marruco de Santo Reis...
Foi quase que involuntário,
Logo no momento em que todos os foliões ficaram em silêncio
Daquele silêncio forte que até nos faz ouvir os pensamentos
Deu-me uma vontade imensa de sacanear o santo e cantei:
− Amarra o cu do Santo Reis... Amarra o cu do Santo Reis...
Todos me olharam,
Os tocadores, as cantadeiras, as lamparinas, o mestre, o contra-mestre, os reis magos, o palhaço e toda aquela multidão...
Mas ao invés de ser excomungado por todos,
Caíram eles numa gargalhada coletiva
Que imagino ter deixado o santo morto de vergonha,
Mais humilhado que todos aqueles meus perrengues juntos.
Por isso penso
Santo forte faz milagre e até pode fazer vento balançar a roseira
Mas fica miando baixo com veneno de malandro
E até toma rasura em poesia de ateu.
Fizeram a oferenda do marruco ao santo,
E me deu uma crise de riso quando ouvi aquele coro em transe gritando:
− Marruco de Santo Reis... Marruco de Santo Reis...
Foi quase que involuntário,
Logo no momento em que todos os foliões ficaram em silêncio
Daquele silêncio forte que até nos faz ouvir os pensamentos
Deu-me uma vontade imensa de sacanear o santo e cantei:
− Amarra o cu do Santo Reis... Amarra o cu do Santo Reis...
Todos me olharam,
Os tocadores, as cantadeiras, as lamparinas, o mestre, o contra-mestre, os reis magos, o palhaço e toda aquela multidão...
Mas ao invés de ser excomungado por todos,
Caíram eles numa gargalhada coletiva
Que imagino ter deixado o santo morto de vergonha,
Mais humilhado que todos aqueles meus perrengues juntos.
Por isso penso
Santo forte faz milagre e até pode fazer vento balançar a roseira
Mas fica miando baixo com veneno de malandro
Por Bibi Serafim
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